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Leitoras de “Cinquenta Tons de Cinza” são mais machistas, diz estudo

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Um estudo das universidades norte-americanas de Ohio e Michigan revelou algo que tanto eu quanto você já desconfiávamos: mulheres jovens que leram o romance sadomasoquista light “Cinquenta Tons de Cinza”, de E.L. James, são mais propensas a atitudes machistas.

Pra quem não lembra –ou não sabe, porque acabou de voltar de Marte–, “Cinquenta Tons de Cinza”, que vendeu mais de 100 milhões de cópias no mundo todo, retrata o relacionamento da estudante insegura Anastasia Steele com o milionário controlador Christian Grey, adepto do sadomasoquismo. Sob um olhar mais atento, o “romance” dos dois, além de bastante desigual, beira o abusivo, já que Grey tenta controlar cada aspecto da vida de Ana, da alimentação ao sexo.

De acordo com o estudo publicado no “Archives of Sexual Behaviour”, estudantes de 18 a 24 anos que leram os livros tiveram níveis mais altos de “machismo ambivalente, benevolente ou hostil”, sendo que machismo benevolente é definido comO a crença de que as mulheres têm que ser mimadas e protegidas pelos homens, enquanto machismo hostil seria a visão negativa e objetificante das mulheres.

Os níveis de machismo foram medidos usando um questionário em que as participantes deveriam marcar seu grau de concordância com 22 declarações, coisas como “as mulheres procuram ganhar poder controlando os homens”.

Entre as 747 participantes, 61% não haviam lido a trilogia de James. Entre as que leram todos os livros ou apenas trechos, 46,2% disseram ter gostado. As respostas das jovens mostraram que aquelas que haviam terminado ao menos o primeiro volume concordavam com mais comportamentos machistas do que aquelas que não leram nada. Aquelas que descreveram a história como “romântica” também deram mais respostas classificadas como machismo ambivalente ou benevolente.

Para os pesquisadores, a necessidade de Anastasia de ter um relacionamento heterossexual monogâmico é “consistente com noções de machismo benevolente”, então parece lógico que quem acha que “Cinquenta Tons” é romântico também teria esses mesmos valores.

Eles apontam que a série “romantiza dinâmicas que são consistentes com relacionamentos românticos violentos”, e que é preocupante que tantas das participantes tenham visto a história como romântica. Além disso, os livros reforçam visões tradicionais sobre os gêneros, com Christian apresentando uma “masculinidade hegemônica” e Anastasia mostrando uma “feminilidade submissa”.

Até aí, é só a ciência demonstrando o que todas já sabíamos, mas não deixa de ser problemático um bestseller reforçar tantas ideias retrógradas.

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2 pensamentos sobre “Leitoras de “Cinquenta Tons de Cinza” são mais machistas, diz estudo

  1. Entendo o estudo, mas discordo dessa posição.
    Acho que somos sim, influenciados diretamente pelo conteúdo que chega na gente, mas acabamos por selecionar com a dose de bom senso que já temos em nossa bagagem, sobre o que acrescentará ou não..
    Mas é só uma opinião (:

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  2. oi, Vera, o estudo apresentava esse ponto, de que é preciso apresentar um livro com “Cinquenta Tons” para os leitores de forma crítica. mas o problema é que a pesquisa mostra que grande parte das pessoas não estão consumindo o livro de forma crítica, mas se identificando com os conceitos problemáticos que ele traz.

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