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Dia dos Pais: Quer melhorar o mundo? Seja um pai feminista

Crédito: Reprodução/Bustle.com

Crédito: Reprodução/Bustle.com

Ontem foi Dia dos Pais e isso me fez pensar um pouco sobre como essas figuras tão importantes nas vidas das meninas poderiam ajudar a tornar o  mundo um lugar melhor pra elas. E percebi que mesmo os pais mais amorosos, como o meu, ainda ajudam a perpetuar desigualdades em vez de preparar suas filhas para um mundo mais justo. Escrevi então o apelo a seguir, algo totalmente pessoal, que não esgota tudo aquilo que os homens podem fazer para criar um mundo melhor para as mulheres e colaborar com o feminismo, mas dá algumas sugestões muito simples de colocar em prática.

Você que é pai de uma menina, aproveite este Dia dos Pais que acabou de passar para repensar o que você está fazendo para tornar esse mundo mais justo e seguro para a sua filha, e para todas as outras filhas de todos os outros pais.

Se a sua menina ainda é um bebê, esqueça essa coisa de roupa rosa, lacinhos etc., mas principalmente assuma na vida dela um papel tão presente e importante quanto o da mãe. Sem essa de que pai que troca fralda está “ajudando”. Você não está fazendo nada mais do que a sua obrigação. As únicas coisas que uma mãe pode fazer e um pai não são parir e amamentar. Todo o resto pode e deve ser dividido entre os dois. Afinal, a mãe trabalha tanto quanto você hoje em dia, e não é justo ela ainda ter que dar expediente extra, sozinha, dentro de casa. Tomando a responsabilidade para si, você não só está dando um belo exemplo pra sua filha, como está contribuindo pra vida da sua parceira, a pessoa que você ama, ser mais feliz e menos frustrante.

Se a sua filha ainda é uma garotinha, dê a ela liberdade para ser como e quem ela quiser. Nunca, em hipótese nenhuma, use frases como “isso não é coisa de mocinha”. Não mande ela “sentar direito”, se comportar como uma “boa menina” ou coisa parecida. Deixe ela se arriscar em coisas “de menino”, porque essa é uma distinção que já não faz mais sentido. Sem essa de que menina tem que brincar de boneca e de casinha. Menina pode brincar de qualquer coisa que ela goste. Incentive isso. E apresente para ela filmes, livros, programas de TV e outros trabalhos bacanas feitos por mulheres. Elogie todas as qualidades dela –inteligência, capacidade atlética, concentração etc. etc.– e esqueça aquela história de “coisa linda do papai” e tudo mais que passe pra ela a mensagem de que a aparência dela pode ser determinante pra qualquer coisa na vida. Valorize quem ela é, e não como ela aparenta ser.

Se a sua garotinha já não é mais uma garotinha, acima de tudo dê apoio. Não reprima a sexualidade de uma adolescente, ofereça orientação. Não faça ela sentir que o valor dela no mundo pode ser medido pela capacidade de manter as pernas fechadas. Ensine que sociedade nenhuma tem o direito de dar pitaco sobre com quem ela transa, e com que frequência. E que a maneira como ela se veste deve ser uma forma de expressão própria, não uma determinação social e muito menos uma desculpa pra violências contra ela. Ensine-a a se proteger –porque o mundo ainda pode ser bem perigoso para as mulheres– mas não tente isolá-la do mundo por isso e muito menos a culpe caso algo ruim aconteça com ela. Também não valorize essa coisa de “virar mulher” baseada apenas na primeira menstruação. Isso quer dizer apenas que o corpo agora está pronto para uma gravidez, mas não pode significar que a possibilidade de ser mãe define o que é ser mulher. Sua filha certamente não está pronta pra isso, e talvez nunca esteja. E tudo bem.

Crédito: Gabriela Shigihara/Chega de Fiu Fiu/ThinkOlga.com

Crédito: Gabriela Shigihara/Chega de Fiu Fiu/ThinkOlga.com

Se sua filha agora já é uma jovem adulta, os conselhos anteriores continuam valendo: dê liberdade e apoio, mas, sobretudo, não seja mais um a exercer sobre ela as pressões sociais de sempre. “Como você ainda está sozinha?”, “Quando vai se casar?”, “Quando vai me dar um neto?” são perguntas que você precisa desaprender. Estar sozinha não é ruim, é bem melhor do que estar com alguém que não respeite quem ela é e não esteja disposto(a) a dividir igualmente as responsabilidades da vida. Casar é menos ainda uma preocupação. Mais importante é encontrar bons amigos, gente de alma parecida, essas sim relações pra vida toda. E ter filhos não é um desejo inerente de qualquer mulher. Algumas até têm vontade, mas não querem o papel típico de mãe que a sociedade tenta empurrar pra elas. Outras não querem e ponto, e isso não faz delas menos mulheres. Outras não querem outra coisa na vida, e tudo bem, também.

Mas o mais importante não é apenas criar um mundo melhor e uma vida mais feliz apenas para sua filha, mas para todas as filhas. Então, tente destreinar seu olhar pra enxergar o quanto o mundo ainda é injusto com as mulheres –e mostre isso também para os homens com quem você convive. Deixe de lado as piadinhas sexistas; não distribua cantadas nem aborde mulheres desconhecidas; dê voz e valorize as mulheres no seu trabalho; divida igualmente as responsabilidades com a sua companheira; não use uma alteração hormonal como desculpa para não dar ouvidos a uma mulher; confie em profissionais mulheres em áreas tradicionalmente masculinas; apoie as mulheres que forem vítimas de abusos verbais e físicos, mesmo que você não as conheça; e, sobretudo, ouça quando uma lhe disser que determinada atitude é machista. Ela sofre isso todos os dias, você não. Então, acima de tudo, tenha empatia.

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