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“Girls” finalmente está ficando boa –e mais três séries sobre mulheres para assistir este ano

Eu sempre tive um problema com “Girls”. Talvez seja a minha idade, já um pouco acima da das personagens, mas todos os “dramas” da série sempre me pareceram um grande mimimi –sério, que tipo de problemas reais podem ter garotas brancas, de classe média, que se acham diferentes e acreditam que o mundo deve algo “especial” a elas?–, e sempre tive vontade de pegar Hannah, Marnie e Jessa pelos ombros, chacoalhar e gritar “vê se cresce!” –a Shoshanna não, ela é legal.

Ok, estou sendo um pouco dura, todas nós já passamos por isso (mesmo?) e até consigo entender como as mulheres mais jovens (20-25 anos) se identificam tanto com a série. Mas as personagens, e especialmente Hannah (Lenna Dunham), sempre me pareceram narcisistas e pretensiosas demais para causarem qualquer simpatia. Resumindo, a série sempre me pareceu representar tudo que está errado com a geração dos “millennials”, e nem sempre de uma forma irônica: mimados, que se consideram “especiais” e esperam que o mundo lhes entregue um destino excitante e diferente.

Mas, claro, virou uma daquelas séries que você nem gosta, mas continua assistindo para ver no que vai dar –e, também, para poder entender e conhecer o que está sendo feito na TV por mulheres jovens, para mulheres jovens, incluindo algumas das cenas de sexo e nudez mais honestas que eu já vi.

Esta quarta temporada, no entanto, me surpreendeu, especialmente pela evolução de Hannah –que começa o ano menosprezando o trabalho e as críticas de todos os seus colegas das aulas de escrita criativa e abandona finalmente suas pretensões literárias para fazer algo em que realmente é boa (dar aulas para adolescentes).

Além disso, o final da temporada também mostram a personagem de Lena Dunham entendendo que o mundo não gira ao seu redor, especialmente quando seu pai resolve sair do armário, e uma rara decisão saudável para sua vida amorosa. Esta sim começa a se tornar uma personagem com quem é possível se identificar.

Shoshanna, Jessa e Marnie também parecem se encaminhar para uma direção mais interessante, menos egoísta e dependente dos outros, embora a última continue sendo insuportavelmente chata. De qualquer maneira, houve evolução suficiente para que eu ficasse curiosa com o que está por vir no ano que vem.

Mas enquanto a quinta temporada não chega, nem tudo está perdido, e eu separei três boas séries centradas em mulheres que vão manter você muitas horas grudada no sofá.

Marvel’s Agent Carter
O que é: A agente Peggy Carter (Hayley Atwell) foi a responsável pelo treinamento do Capitão América, mas depois de seu desaparecimento, durante a Segunda Guerra, é relegada a trabalhos menores na Reserva Científica Estratégica, até que Howard Stark é acusado de traição e ela resolve ajudá-lo a provar sua inocência.
Por que é legal: sim, é uma série da Marvel, mas não é exatamente de super-heróis, e sim de crimes e investigação. Mas mais que isso: é uma série sobre uma mulher fodona que é constantemente menosprezada pelos colegas homens simplesmente por ser mulher, mas mesmo assim é quem acaba resolvendo tudo –e isso sem deixar de lidar com problemas comuns às mulheres da época, como a pressão para se casar e para estar sempre impecável. Estamos aqui torcendo por mais temporadas.

Broad City
O que é: Duas garotas tentam sobrevier em Nova York em meio à falta de grana, bicos e muita maconha.
Por que é legal: esta série, que já está na segunda temporada, mas eu só descobri agora (e ainda não tem exibição no Brasil), seria a mais parecida com “Girls” se as protagonistas bagaceiras não lembrasse mais “Beavis e But-Head” do que Hannah e Marnie. Ok, elas não são tão toscas assim, mas suas maiores preocupações são coisas como arranjar maconha sem ter grana e dar apoio por Skype enquanto a outra vomita. Além disso, a série, que nasceu na internet, também é produzida e escrita pelas protagonistas Ilana Glazer, 27, e Abbi Jacobson, 31, e foi apadrinhada por Amy Poehler. Humor nonsense e bagaceira de primeira.

Unbreakable Kimmy Schmidt
O que é: Kimmy Schmidt (Ellie Kemper) foi sequestrada pelo líder de um culto quando era adolescente e passou 15 anos com outras garotas em um bunker, achando que o mundo tinha acabado. Quando é resgatada, resolve recomeçar a vida em Nova York.
Por que é legal: a nova criação de Tina Fey, comprada pelo Netflix depois de ser rejeitada pela NBC, é uma comédia estranha, exagerada (como já mostram as cores) e de humor quase ingênuo, se não fossem as sátiras certeiras que recheiam cada episódio, de estereótipos raciais (o gay negro que quer ser ator de musicais, o asiático inteligente) à superficialidade da vida dos ricos e a “tabloidização” da cultura, sem deixar de mostrar, com muita ironia mas também otimiso, como pode ser difícil a vida da “mulher moderna”.

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Um pensamento sobre ““Girls” finalmente está ficando boa –e mais três séries sobre mulheres para assistir este ano

  1. Ah, eu acho a primeira temporada de Girls muito boa, autêntica acima de tudo. As temporadas posteriores foram bastante centradas na Hannah, talvez reflexo de um possível forte narcisismo da própria Lena Dunham. Concordo que alguns problemas das protagonistas são bem triviais, mas acho a maioria bem válido. Não é porque são jovens brancas e de classe média que não vão ter problemas. Mas um ponto que eu gosto bastante na série e que me prende também são as tramas dos homens da série, sobretudo Adam e Ray, que eu me identifico bastante aliás.

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