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Sorry, homens, vocês até tentaram controlar o Oscar 2015, mas foram as mulheres que arrasaram (com gifs!)

Meryl Streep aplaude Patricia Arquette no Oscar 2015 (Reprodução/ABC)

Meryl Streep aplaude Patricia Arquette no Oscar 2015 (Reprodução/ABC)

É, parece que esse negócio de feminismo e igualdade de gênero está realmente pegando em Hollywood.

Mas o Oscar 2015 não foi o prêmio da Academia com menos representatividade feminina?, você vai perguntar.

Sim, mas quem brilhou de verdade na cerimônia deste ano foram as mulheres.

Vamos por partes.

Quando as indicações ao Oscar 2015 saíram, lá em janeiro, a primeira reação foi: este é o Oscar mais branco e mais masculino em muitos anos! Alguém chegou até a fazer a piada de que estava aliviada em ver que todas as concorrentes aos prêmios de melhor atriz ainda eram mulheres.

E por que isso?

Porque todos os longas indicados ao Oscar de melhor filme tinham protagonistas homens e, com exceção de “Selma”, eram dirigidos por homens. Ava duVernay, diretora de “Selma”, foi “esquecida” também na categoria de melhor direção, dominada novamente por homens.

Mesmo a categoria de melhor atriz não viveu o melhor dos mundos: apenas Felicity Jones (“A Teoria de Tudo”) foi indicada por um filme lembrado em outras categorias importantes (filme, roteiro adaptado, entre outros), mas quem brilha mesmo na produção é Eddie Redmayne, que interpreta o físico Stephen Hawking –verdadeiro protagonista. As outras concorrentes, incluindo a vencedora Julianne Moore, foram as únicas indicadas de seus respectivos filmes (com exceção de “Livre”, que além de Reese Witherspoon teve indicação para Laura Dern como coadjuvante).

Os papéis pelos quais homens e mulheres foram indicados também tinham diferenças fundamentais: enquanto eles representavam cientistas brilhantes (Redmayne, Benedict Cumberbatch), uma estrela do cinema (Michael Keaton), o herói de guerra (Bradley Cooper) e um único atormentado (o magnata John Du Pont de Steve Carrell), elas ficaram com a esposa do cientista (Jones), a psicopata (Rosamund Pike), a doente de Alzheimer (Moore), a desempregada (Marion Cotillard) e a recém-divorciada autodestrutiva (Whitherspoon). Papéis fortes, sem dúvida, mas não exatamente grandes exemplos de empoderamento feminino (com exceção, talvez, de “Livre”, que traz uma dura jornada de autoconhecimento).

A esta altura, você deve estar se perguntando por que raios, então, você está dizendo que o Oscar teve um lado positivo para as mulheres?

Simples: porque mesmo em minoria e relegadas a poucas categorias, foram elas quem brilharam na cerimônia realizada neste domingo (22), no Dolby Theatre, em Hollywood.

David Oyewelo mostra o que está achando da apresentação de Neil Patrick Harris (Reprodução/ABC)

David Oyewelo mostra o que está achando da apresentação de Neil Patrick Harris (Reprodução/ABC)

Em primeiro lugar, Neil Patrick Harris (infelizmente) foi um apresentador suuuper sem graça, o que só deixou todo mundo com saudades de Ellen DeGeneres (apresentadora em 2014), ou mesmo da maravilhosa dupla do Globo de Ouro, Tina Fey e Amy Poehler.

Neil Patrick Harris dá uma de Birdman e aparece de cueca no palco do Oscar... (Reprodução/ABC)

Neil Patrick Harris deu uma de Birdman e apareceu de cueca no palco do Oscar… (Reprodução/ABC)

... e Meryl ficou meio constrangida (Reprodução/ABC)

… e Meryl ficou meio constrangida (Reprodução/ABC)

Em segundo lugar, porque o discurso mais aplaudido da noite foi o de Patricia Arquette, vencedora do Oscar de atriz coadjuvante por “Boyhood”, em que interpreta uma mãe divorciada tentando criar bem seus filhos e, ao mesmo tempo, viver, ao longo de 12 anos (de verdade!).

Sem vergonha de ostentar seus óculos de leitura, no palco, a atriz de 46 anos retomou o tema que perpassou seus discursos nessa temporada de prêmios: a desigualdade de salários que as mulheres –em Hollywood e em geral– sofrem. E foi ovacionada com entusiasmo por toda a plateia, em especial as mulheres –e Meryl Streep, que logo virou o melhor meme da noite.

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Arquette dedicou o prêmio “para cada mulher que já deu à luz, para cada contribuinte e cidadã dessa nação, nós lutamos por direitos iguais para todo mundo. É nossa vez de finalmente ter salários igualitários e direitos iguais para as mulheres dos Estados Unidos”.

Na sala de imprensa, quando questionada se havia visto a reação de Streep, ela retomou o tema: “Não vi, mas fiquei sabendo e dei um abraço nela depois. Ela é a rainha de todas as atrizes, a santa padroeira das atrizes. Então, foi incrível, mas é o nosso momento. É a hora das mulheres. Igualdade significa igualdade. E a verdade é que, quanto mais velha a mulher fica, menos ela ganha. E é inaceitável que nós percorramos o mundo falando de direitos iguais para as mulheres em outros países e não tenhamos direitos iguais para as mulheres nos Estados Unidos. Chegou a hora de todas as mulheres americanas, e todos os homens que amam as mulheres, e todos os gays, e todos os negros pelos quais lutamos, também lutem por nós agora”.

É isso aí, garota!

Meryl Streep aplaude Patricia Arquette no Oscar 2015 (Reprodução/ABC)

Meryl Streep aplaude Patricia Arquette no Oscar 2015 (Reprodução/ABC)

Já Julianne Moore não fez um discurso sobre igualdade, mas deu um belíssimo exemplo de alguém que vive seu casamento de forma igualitária –em seu discurso, não só ela brincou sem hesitar sobre seu marido ser mais novo (ainda um tabu, em pleno 2015!), como também contou nos bastidores que ele é o maior apoiador de sua carreira.

Perto dessas duas, os discursos dos vencedores dos prêmios de melhor ator e ator coadjuvante (Eddie Redmayne e J.K. Simmons) não tiveram qualquer brilho.

Julianne Moore recebe o Oscar de melhor atriz das mãos de Matthew McConaughey (Reprodução/ABC)

Julianne Moore recebe o Oscar de melhor atriz das mãos de Matthew McConaughey (Reprodução/ABC)

Além disso, finalmente vimos os entrevistadores das transmissões de tapete vermelho se sentirem constrangidos de pedir para as atrizes darem uma voltinha para mostrar o look e falarem sobre seus vestidos. Isso é culpa da campanha #AskHerMore (pergunte mais para ela), apoiada por diversas atrizes que pedem para ouvir perguntas mais profundas sobre seus filmes e personagens, como acontece com seus colegas homens, em vez de terem que falar apenas sobre a aparência.

Reese Witherspoon apoia a campanha #AskHerMore no tapete vermelho do Oscar: "Nós somos mais que nossos vestidos" (Reprodução/ABC)

Reese Witherspoon apoia a campanha #AskHerMore no tapete vermelho do Oscar: “Nós somos mais que nossos vestidos” (Reprodução/ABC)

“Somos mais do que nossos vestidos”, disse Reese Witherspoon no tapete vermelho. Ela também tem feito mais pelas mulheres: abriu sua própria produtora, que produziu dois filmes indicados ao Oscar com papéis femininos fortes: “Livre”, pelo qual concorria a melhor atriz, e “Garota Exemplar”, que colocou Rosamund Pike como sua concorrente.

Nos números musicais, o destaque também ficou com uma mulher: Common e John Legend até emocionaram a plateia com “Glory” e a temática dos direitos civis defendidos por Martin Luther King em “Selma”, mas quem brilhou mesmo foi Lady Gaga. Depois de virar piada por seu look no tapete vermelho, ela calou a boca de todos e arrasou na interpretação de números musicais de “A Noviça Rebelde”, mostrando que tem uma voz digna dos melhores palcos da Broadway.

Lady Gaga arrasa na homenagem ao filme "A Noviça Rebelde" (Reprodução/ABC)

Lady Gaga arrasa na homenagem ao filme “A Noviça Rebelde” (Reprodução/ABC)

Essas mulheres merecem todo o nosso respeito e admiração por triunfarem em um mundo ainda dominado por homens –segundo um estudo do Centro de Estudos sobre Mulheres no Cinema e na TV, as mulheres têm apenas 15% dos papéis de protagonistas no cinema americano; e um levantamento do jornal “Los Angeles Times” em 2012 revelou que apenas 23% dos membros da Academia são mulheres. Palmas para elas.

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ATUALIZAÇÃO: Acabei de ver que os comentários da Patricia Arquette na sala de imprensa geraram controvérsia e tem muita gente acusando a atriz de advogar por um feminismo voltado para mulheres cis e brancas (aqui também). Discordo totalmente. O que a fala dela parece me dizer não é, em absoluto, que os movimentos LGBTs e negros já alcançaram a igualdade pela qual lutaram e agora devem “ajudar” as mulheres cis brancas. Mas sim que esquecemos que as mulheres em geral, independente de serem gays, heterossexuais, brancas ou negras, ainda sofrem com as mesmas desigualdades básicas, mesmo em um país “avançado” como os EUA. Cada indivíduo que assume uma posição em relação a uma causa o faz influenciado por sua própria experiência, é óbvio. E ainda que à questão da desigualdade de gênero muitas vezes se somem outras desigualdades –relacionadas à orientação sexual e origem étnica–, que tal a gente parar de compartimentar os movimentos e tentar se unir mais nessas lutas que, em sua base, são todas por igualdade e reconhecimento?

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4 pensamentos sobre “Sorry, homens, vocês até tentaram controlar o Oscar 2015, mas foram as mulheres que arrasaram (com gifs!)

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