música

Valesca Popozuda, a nossa diva feminista

A funkeira Valesca (Reprodução/Instagram)

Se 2014 foi um ano em que muitas celebridades estrangeiras fizeram questão de vocalizar sua identificação com o feminismo –de Emma Watson a Taylor Swift, passando por Beyoncé, Amy Poehler e Joseph Gordon-Levitt– no Brasil, a diva do funk Valesca Popozuda também não hesitou em se associar ao movimento.

“Eu sou feminista. Hoje em dia está mais fácil ser feminista. Outras mulheres passaram a se impor mais e estamos mais unidas. Eu procuro colaborar sempre que posso e gostaria de ser mais ativa. O pop é muito forte [para abrigar a discussão sobre feminismo] e dessa forma se atinge um número maior de pessoas. É um assunto que não tem como fugir”, disse ela em entrevista ao UOL Música.

A identificação de Valesca com um tipo muito particular de feminismo não é nova. Ela tem sido porta-voz da liberação sexual das mulheres desde o início de sua carreira, com letras como “Pega no meu grelo e mama / Me chama de piranha na cama / Minha xota quer gozar / Quero dar / Quero te dar”.

Esse é um tipo de discurso muito poderoso para um país onde se ouve o tempo todo que a mulher “tem que se dar o respeito”, e mais poderoso ainda quando ele chega a mulheres em situações sociais mais vulneráveis e mais oprimidas pelo machismo.

Por outro lado, Valesca sempre explorou uma imagem de sensualidade que é inevitavelmente filtrada pelo olhar masculino do que é uma mulher sexy e gostosa. Além disso, ela recebe críticas por incentivar a competição entre mulheres em músicas como “Beijinho no Ombro” e “Eu Sou a Diva que Você Quer Copiar”.

Ela se defende dizendo que essa disputa é normal, sem se dar conta que é fruto de uma sociedade que incentiva as mulheres a competir pelo melhor “provedor”, e que a disputa de poder não deveria se dar entre elas, que poderiam ser mais solidárias entre si.

Na visão de Valesca, seus hits não são mais do que pequenas pílulas de autoajuda para mulheres. “O que eu quero dizer em ‘Beijinho no Ombro’ é que a inveja não tem vez, e com ‘Eu Sou a Diva que Você Quer Copiar’ é que qualquer mulher pode ser diva. Basta ela querer”.

Mas, quando questionada sobre a discussão entre Anitta e Pitty no “Altas Horas” (quando a segunda disse que as mulheres precisavam se valorizar e levou uma lição de feminismo da primeira), ela faz questão de declarar: “Eu sou do seguinte discurso: o que os homens podem nós também podemos”.

O discurso é cheio de contradições e o fenômeno do funk “feminista” ainda carece de uma análise mais profunda, mas mesmo assim dá gosto ver mulheres de todas as esferas defendendo a igualdade entre os sexos e a liberdade sexual das mulheres.

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