cinema

Os problemas da Cinderela clássica –e como Kenneth Branagh pretende resolvê-los no novo filme

Lily James em cena de "Cinderela" (2015)

Lily James em cena de “Cinderela” (2015)

Princesas da Disney são sempre um assunto complicado —as clássicas são donzelas indefesas, quase coadjuvantes dos filmes que levam seus nomes; mesmo assim, foram e continuam sendo amadas por gerações de garotas que se encantaram com a riqueza visual das animações.

Se a Disney vem mostrando uma vontade de transformar suas princesas em modelos melhores para as meninas —vide “Valente”, “Frozen” e “Malévola”— o que esperar de uma nova versão de “Cinderela”, com atores em carne e osso? A julgar pelo trailer lançado na semana passada, muitas cenas icônicas —a fada-madrinha, a abóbora, os ratinhos, o sapatinho de cristal e o baile—e alguns estereótipos a superar.

Se o filme vai realmente seguir a trilha das novas princesas fortes e independentes, só saberemos em abril do ano que vem, quando ele estrear. Mas o diretor Kenneth Branagh me adiantou algumas coisas, em entrevista publicada no UOL, e acho que já podemos dizer: not that bad.

Veja a seguir como ele pretende contornar alguns dos problemas que o conto de fada de Charles Perrault já trazia:

A princesa que está só à espera de um homem rico para mudar de vida

“De certo modo, o filme é sobre o que é preciso para ser feliz, e isso que você mencionou [a ideia de que a vida só vale a pena se um homem rico aparece] não é necessariamente algo que ajuda a ser feliz. É sobre a felicidade estar dentro de você. Esta Cinderela é feliz, porque, apesar de levar alguns golpes da vida –a perda de entes amados, a ignorância dos outros–, ela também consegue aproveitar cada momento, seja um dia ensolarado, ou andar a cavalo. Ela consegue ser divertida, sexy, inteligente e legal. E tem amor próprio, é uma boa companhia, se diverte. Ela não minimiza seus problemas, que são duros, mas não se enxerga como coitadinha. Ao nos aproximarmos do filme, emerge esse tipo de força inspiradora, pessoal, espiritual. E temos Lily James, uma atriz que consegue transmitir isso”.

Cinderela é tão boazinha e ingenuamente romântica que chega a ser chata

“Acho que ela é inquestionavelmente forte. Nossa Cinderela é romântica, claro, e poética. Ela é definida pelo tipo de amor e alegria que seus pais vivenciaram e que ela gostaria de ter, mas também de compartilhar. Ela tem um coração muito generoso, olha para os outros com compaixão. E tem um tipo diferente de rebeldia, se rebela de uma forma própria, é uma resistência não-violenta. Ela é engraçada, irreverente, bobinha às vezes, mas não simplória. Gosta de si mesma e, mais importante, gosta das outras pessoas e não pressupõe que o mundo vai decepcioná-la. Ela sabe que a vida é dura, que coisas ruins acontecem, que perdas, dificuldades, crueldade e ignorância acontecem, mas acredita não na vida como é, mas em como poderia ser se você acreditar na bondade, na coragem e, às vezes, em um pouquinho de magia”.

O amor à primeira vista de Cinderela pelo príncipe (e vice e versa) no baile

“Uma coisa que não fizemos é que, na animação, a Cinderela e o príncipe nunca se encontram antes do baile. Neste filme, nós os fizemos se encontrarem e nenhum dos dois sabe quem é o outro. Eles se encontram e se conectam nesse momento. Então, a conexão é real e diferente, e não envolve avaliar quanto dinheiro o outro ganha, ou quantas casas tem, ou qualquer coisa relacionada a isso. Acho que isto faz parte de fazer de Cinderela uma mulher independente e de bem consigo mesma. Acho que vamos surpreender as pessoas pela qualidade emocional do filme”.

A figura anacrônica do príncipe encantado

“Ele tinha que estar de acordo com a história. Tinha que ser um homem pensante e com sentimentos. Ele é responsável e impetuoso, e tem que ganhar o respeito da Cinderela, o amor dela. Seria um privilégio para ele conquistar essa garota, assim como ela teria sorte em conquistá-lo, no sentido de que ambos têm um espírito generoso. Ele leva suas responsabilidades a sério, tem obrigações reais e um pai que não ajuda muito, mas é muito masculino, jovial, vigoroso, tem um senso de humor meio selvagem e vivaz, tem bons amigos, é um bom ouvinte, tem sensibilidade sem ser ‘fofinho’. É cheio de masculinidade e, nesse sentido, é um belo complemento para ela. E essa maravilhosa química entre os dois atores, Richard Madden e Lily James, esta paixão, também é perpassada por um senso de humor afiado. Acho que é crucial que, como acontece no nosso filme, eles se conheçam fora do baile, quando não sabem quem é o outro, e isso por si só introduz uma noção de realidade que é diferente de Cinderela aparecer e estar pronta para dançar com qualquer um que esteja vestindo a roupa, o uniforme certo”.

Lily James e Richard Madden em cena de "Cinderela", de Kenneth Branagh

Lily James e Richard Madden em cena de “Cinderela”, de Kenneth Branagh

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