cinema

O cinema continua sendo masculino. Em alguns lugares mais do que em outros

Cena de "A Culpa É das Estrelas", filme que teve o maior público o Brasil em 2014, até agora

Cena de “A Culpa É das Estrelas”, filme que teve o maior público o Brasil em 2014, até agora

Que o cinema é uma indústria majoritariamente masculina, não é nenhuma novidade, especialmente quando se fala de Hollywood. Mas um estudo publicado pelo Instituto Geena Davis de Gêneros na Mídia em outubro joga luz sobre o espaço das mulheres também em outros dez mercados cinematográficos, os maiores em termos de bilheteria, incluindo o Brasil.

O estudo analisou 120 filmes de maior bilheteria lançados de janeiro de 2010 a maio de 2013 na Alemanha, Austrália, Brasil, China, Coreia, Estados Unidos, França, Índia, Japão, Reino Unido, Rússia.

A situação não é ideal em nenhum dos países, mas em alguns é pior do que em outros. Em média, as mulheres são 30,9% dos personagens dos filmes analisados. O número varia muito mais em relação aos protagonistas: enquanto 50% dos filmes coreanos foram protagonizados por mulheres, elas foram o centro de apenas 10% dos filmes russos. No Brasil, o número também é baixo: 20%.

Prevalência do gênero dos personagens por país

Prevalência do gênero dos personagens por país

Esses números são um pouco assustadores se pensarmos que, no Brasil as mulheres já são 52% do público (dado de 2012), enquanto nos Estados Unidos e Canadá elas são metade das pessoas que compraram ingressos em 2013.

Os filmes de maior bilheteria também demonstram que, talvez, os estúdios deveriam olhar para as personagens femininas com mais carinho: os dois filmes mais vistos por aqui este ano são protagonizados por mulheres, “A Culpa É das Estrelas” e “Malévola”, somando mais de 11,9 milhões de ingressos vendidos, um terço da soma do público de todo top 10 deste ano.

Nos Estados Unidos, três longas centrados em mulheres estão no top 20 das bilheterias de 2014: “Malévola”, “Divergente” e “A Culpa É das Estrelas”. Os mesmos filmes, além da “Lucy” de Scarlett Johansson, também figuram entre os 20 filmes mais lucrativos no mundo todo.

Soma-se a isso o fato de “Frozen” ter se tornado recentemente a animação mais vista de todos os tempos, com bilheteria de US$ 1,3 bilhão, ultrapassando “Toy Story 3” (US$ 1,1 bi).

Quem faz

Quando o assunto é quem cria os filmes que fazem sucesso, a situação feminina é um pouco melhor em parte dos países estudados.

O Brasil tem o maior número de produtoras trabalhando com cinema, 47,2% –o que faz pensar em nomes de mulheres poderosas, como Andrea Barata Ribeiro e Bel Berlinck, da O2–, à frente de grandes mercados como os Estados Unidos (30,2%).

Em relação à direção, a situação no Brasil ainda é muito desequilibrada, com apenas 9,1% dos filmes analisados sendo dirigidos por mulheres (contra 27,3% no Reino Unido). Entre os roteiristas, de novo as inglesas estão em melhor situação, tendo escrito 58,8% dos filmes (contra 30,8% no Brasil). Na relação total, temos 1,7 homem para cada mulher trabalhando nos filmes brasileiros que integraram o estudo.

Prevalência de gênero por trás das câmeras, por país

Prevalência de gênero por trás das câmeras, por país

A pesquisa também analisou de que forma as mulheres são representadas nesta amostra de filmes. Entre as conclusões, assusta ver que as personagens femininas são mais magras, muito mais frequentemente alvos de comentários sobre beleza, e aparecem com menos roupa do que os personagens masculinos. Da mesma forma, há diferenças no tipo de profissões que homens e mulheres têm nas telas, sendo reservadas a eles as ocupações de maior prestígio.

Tudo isso importa muito, porque as personagens vistas no cinema servem de modelo para as espectadoras, e ver mulheres em posições de destaque em diferentes setores da sociedade ajuda a entender que somos e devemos ser presença vital em qualquer área.

Como conclui o estudo, “cineastas fazem mais do que apenas filmes, eles fazem escolhas. Essas escolhas poderiam ser por equilíbrio, menos sexualização, e por mais papéis femininos poderosos. A escolha poderia ser por igualdade de gêneros”.

Anúncios

5 pensamentos sobre “O cinema continua sendo masculino. Em alguns lugares mais do que em outros

  1. Pingback: Onda feminista no cinema nacional? Não é bem assim | bitch pop

  2. Pingback: É justo dizer que “Garota Exemplar” é um filme/livro machista? | bitch pop

  3. Pingback: Resumo feminista da semana: Fernanda Gentil, Ilze Scamparini, Emma Watson e os filmes “de mulher” | bitch pop

  4. Pingback: Vamos falar sobre as mulheres no cinema nacional? | bitch pop

  5. Pingback: Sexismo no cinema? As mulheres ainda têm menos falas do que os homens | bitch pop

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s